Pandemia e o Isolamento Social: Atividades para Crianças com Síndrome de Down na Quarentena

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Veja aqui algumas dicas de atividades que podem ser feitas em casa para crianças com síndrome de down durante o período de isolamento social

É sabido pela maior parte das pessoas, atualmente, que a Síndrome de Down – também conhecida como Trissomia do Cromossomo 21 – nada mais é do que um distúrbio genético, causado quando uma divisão celular resulta em material genético extra do cromossomo 21. Sabe-se, também, que essa mutação genética gera alguns problemas de saúde na criança, como baixo tônus muscular e desenvolvimento mais lento da fala, bem como problemas cognitivos, atrasando o seu desenvolvimento intelectual. 

Com o acompanhamento adequado de profissionais específicos como fonoaudióloga, psicopedagoga e fisioterapeuta, por exemplo, as crianças com síndrome de down conseguem se desenvolver num ritmo mais acelerado do que quando não são acompanhadas. 

Porém, com a pandemia, a rotina – familiar, escolar e profissional – de todas as pessoas mudou muito, o que fez com que esses acompanhamentos específicos, muitas vezes, diminuíssem de frequência e/ou de intensidade para muitas famílias que têm filhos com síndrome de down. Essa mudança acarretou em uma desaceleração do desenvolvimento dessas crianças e, em alguns casos, no regresso de etapas que haviam sido conquistadas com o acompanhamento adequado.

E é aí que entra a importância de manter uma rotina para as crianças com síndrome de down na quarentena. 

Qual é a Importância da Rotina na Pandemia?

Quem convive com pessoas que têm síndrome de down, ou que estão dentro do espectro, sabe que a rotina é de suma importância para a garantia do bem estar físico, emocional e psicológico dessas pessoas, principalmente quando ainda são crianças e estão em fase de desenvolvimento. 

Isso acontece porque a constância da rotina norteia as crianças, além de evitar que se sintam confusas ou inseguras pelo desconhecido, o que poderia desencadear o engajamento em comportamentos indesejados.

Síndrome de Down na Quarentena

A rotina escolar, por exemplo, sempre foi de grande ajuda no desenvolvimento de crianças com síndrome de down, uma vez que os horários e as matérias são sempre iguais, e os professores são os mesmos durante todo um ano letivo. Essa rotina ajuda a criar constância e consistência no dia a dia, além de auxiliar na percepção dos dias e do passar do tempo, como um todo.

Porém, a chegada da pandemia da COVID-19 no início de 2020, acarretou no fechamento das escolas, o que mudou – e muito! – o cenário e a rotina dentro das casas. Algumas famílias tentaram manter uma rotina, e outras optaram por viver um dia de cada vez.

No caso de famílias com crianças que têm síndrome de down, manter uma rotina se tornou algo essencial nesse período de quarentena, pois, por exemplo, a rotina escolar não existe mais no formato em que as crianças conhecem e entendem como sendo “a escola”. Muitas escolas trabalharam, no início, com o sistema de aulas gravadas, ao invés de aulas ao vivo pela internet, isso permitiu e deu abertura para que famílias sem uma rotina pré estabelecida vivessem dias incertos, sem horários pré-determinados para cada atividade, o que começou a causar estresse e sensação de insegurança nas crianças com síndrome de down, tudo isso pela falta de uma rotina adequada. 

Além disso, segundo a cartilha “Crianças na Pandemia Covid-19”, publicada pela Fiocruz de Brasília, os efeitos do isolamento social para crianças com síndrome de down e dentro do espectro autista podem chegar a ser físicos: desde uma desorganização sensorial e psicológica até perdas motoras, como consequência da falta de estímulo adequado.

Portanto, é possível perceber a necessidade de uma rotina constante e adequada, com horários pré determinados para cada atividade. 

Para isso, uma dica é manter a rotina combinada escrita em uma lousa ou papel em algum lugar da casa, assim todos os membros da família podem consultar quando quiserem, além de ficar visualmente mais fácil de explicar cada momento para a criança. Outra ideia é a de fazer “checklists” diários com o que deverá ser feito ao longo do dia, e deixar que a criança faça um sinal de “check” cada vez que realizar uma atividade combinada no horário adequado.

Quais atividades e brincadeiras posso fazer e incluir na checklist?

Sugestões de Atividades para Fazer em Casa na Quarentena

Síndrome de Down na Quarentena

Em primeiro lugar, como explicado anteriormente, é necessário montar uma rotina a ser seguida diariamente pela família, assim a criança sabe o que vai acontecer em cada momento do dia. Dessa maneira, podemos impedir estresses e sensações de insegurança relacionadas à falta de constância de um dia imprevisível.

Além disso, nesse momento de pandemia e isolamento social é imprescindível que seja explicado para a criança o que está acontecendo no mundo, para que ela possa entender a razão de tudo ao seu redor ter mudado tanto: desde as aulas que passaram a ser online, até as idas ao mercado, que agora envolvem higienização das compras.

Levando isso em consideração, podem ser feitas brincadeiras que envolvam o contexto atual para, aos poucos, conscientizar as crianças sobre a importância de lavar as mãos, usar máscara e ter uma higiene adequada, por exemplo.

O ideal é sempre realizar atividades acompanhadas de um profissional, mesmo que online (atividades de fala acompanhadas por um fonoaudiólogo, por exemplo, ou uma sequência de alongamentos acompanhada por um profissional da área da saúde como um fisioterapeuta ou um educador físico). 

Além disso, boas opções para esse período de quarentena são atividades que estimulem o foco, como jogos da memória, e brincadeiras que estimulem a imaginação, como massinha de modelar, contação de histórias e teatro. Dessa maneira, estaremos sempre buscando estimular e desenvolver, cada vez mais, diferentes habilidades e áreas do cérebro da criança.

Aprender Algo Novo na Quarentena

Nesse período de isolamento, uma dica legal é buscar interesses e hobbies que as crianças possam desenvolver mesmo dentro de casa. Aprender um novo idioma, por exemplo, aprender a desenhar, a pintar, a cozinhar, ou mesmo a tocar um instrumento musical!

Vale qualquer coisa que desenvolva a parte intelectual, artística ou motora da criança, e que seja capaz de mantê-la interessada e envolvida! Lembrando sempre de incluir essa nova atividade num horário específico da rotina familiar, para que fique tudo bem definido e entendido pela criança.

E aí, a sua família já tem uma rotina bem definida e busca segui-la durante a pandemia?

Para mais matérias como essa, acesse o blog Ideia Boa do Guiaderodas.


Giovanna Naddeo

Giovanna Naddeo 

Escritora, professora e tradutora formada em Letras pela UNICAMP. Apaixonada por viagens, bordados e animais. Acredita que um mundo melhor se faz com pessoas que se incentivam.

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