Summit Mobilidade Urbana 2020 aborda caminhos para inclusão e democratização da acessibilidade

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“Inovar para incluir” foi o tema discutido por autoridades, ativistas e representantes de instituições que participaram do Summit Mobilidade Urbana 2020

O Summit Mobilidade Urbana é o maior encontro de líderes do setor na América Latina e reúne especialistas nacionais e internacionais para refletir, discutir e transformar o futuro do mercado.  O evento, que ocorre anualmente e é organizado pelo Estadão em parceria com a 99, e foi transmitido no dia 12 de agosto.

Pela primeira vez, o encontro aconteceu de forma on-line e gratuita, reformulado e adaptado por conta da pandemia do coronavírus.

Programação Summit Mobilidade Urbana 2020

O tema de 2020 “Inovar para incluir: Novos caminhos para que as cidades sejam mais diversas e democráticas”, foi pensado para todos que se interessam em mobilidade urbana, diversidade e inclusão. Ao longo do painel, foi discutido como melhorar espaços, tornando as cidades mais eficientes, acessíveis e democráticas.

A programação teve abertura do CEO da 99, Mi Yang, e palestra de Jean Liu, presidente da Didi Chuxing, maior empresa de mobilidade urbana do mundo e dona da 99. Jean abordou o tema “Reconectando as cidades após a covid-19”, trazendo a experiência da empresa durante e após a pandemia na China e nos seus países de atuação.

Garantir segurança a todos e todas 

Neste painel foi discutido, com participação do Bruno Mahfuz, sócio-fundador do Guiaderodas, quais são os perfis mais vulneráveis no uso das opções de transporte e na mobilidade ativa, e como enfrentar essas questões democratizando o acesso sem distinguir gênero ou alguma falta de habilidade.

Bruno ressalta em sua fala que a segurança é um dos três pilares fundamentais da acessibilidade, composta por conforto, segurança e autonomia, sendo possível atender pessoas com deficiência, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

O evento contou também com a presença da diretora de sustentabilidade e da Fundación MAPFRE, Fátima Lima, que demonstrou as iniciativas da Fundación para promover a segurança no trânsito.

Foram apresentados os dados da pesquisa conduzida pela Fundación sobre mobilidade da pessoa idosa. O estudo mostra que 81% dos deslocamentos desse grupo são feitos com maior frequência a pé ou de ônibus. Também revelou que para 80% dos entrevistados existem muitos buracos nas calçadas, um dos principais motivos de quedas e tropeços, e 50% consideram a infraestrutura das ruas ruim ou péssima. 

Além disso, a segurança das populações mais vulneráveis, como idosos, deficientes e pessoas das periferias foi tópico do Summit. 

“A mobilidade tem que ser discutida no contexto de acesso efetivo. Tem que pensar em iluminação pública, que permita que a gente conviva de forma saudável, pensar em um Plano Diretor inclusivo que não crie espaços e grupos excluídos, porque quando o sistema de segurança age (ou seja, quando a polícia age), é porque o problema já aconteceu”, avalia Melina Risso, diretora de programas do Instituto Igarapé.

Acessibilidade durante pandemia: houve mudança?

Ao entender a quarentena provocada pelo covid-19 como uma restrição, pode-se afirmar também que uma pessoa com deficiência passa diariamente por diversas restrições por conta da falta de acessibilidade. Segundo Mahfuz, o que pode ter sido alterado durante a pandemia, é somente o olhar e aumento de empatia para com as pessoas com deficiência.

A especialista em transporte urbano Bianca Bianchi Alves, do Banco Mundial, abordou sobre o futuro da mobilidade e dos meios de transporte com o fim da pandemia.

Um relatório elaborado pelo Banco a respeito do uso do transporte público durante o período da pandemia revelou que os sistemas de transporte coletivo de países da América Latina já perderam cerca de US$ 1,1 bilhão por mês.

A dificuldade de se locomover nas grandes cidades ainda é uma das questões mais urgentes da agenda pública, pois reflete diretamente na qualidade de vida e na produtividade dos cidadãos. Segundo pesquisa divulgada em 2019 pelo Instituto Ipsos nas capitais e regiões metropolitanas, a população gasta, em média, 32 dias por ano no trânsito.
Esses e outros temas foram debatidos no Summit Mobilidade Urbana 2020 organizado pelo Estadão, das 9h30 às 18h30 no dia 12 de agosto.

Summit Mobilidade Urbana 2020

Leticia Soares

Letícia Soares
Graduanda em Jornalismo com interesse em arte, tecnologia, literatura e sempre em busca de conhecer novas histórias. Uma pessoa que adora fotografar tudo, descobrir inovações, conversar e fica feliz com a companhia de um chá e um bom livro.

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