Conheça a primeira professora com síndrome de Down do Brasil

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Débora Seabra abre espaço para a representatividade na educação

“Eu ensino muitas coisas para as crianças, a principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma.” Assim Débora Araújo Seabra de Moura descreve a sua rotina de trabalho. Primeira professora com síndrome de Down do Brasil e da América Latina, em quase 20 anos dedicados à educação, Débora tem muitas lições para compartilhar.

Histórias sobre todos e para todos

Formada com homenagens, a educadora concluiu o magistério em 2005. Depois, chegou a estagiar na Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, uma das mais prestigiadas do país, e há alguns anos atua em uma escola particular de Natal (RN), cidade em que nasceu.

Professora assistente do primeiro ano do ensino fundamental, lecionando para crianças com e sem deficiência, Débora divide com seus alunos sua extensa bagagem, seja contribuindo com a alfabetização dos pequenos ou ensinando, inclusive pelo exemplo, a importância da inclusão.
E as próprias vivências em sala de aula a educadora também divide, e com um público maior ainda. Ela é autora de “Débora conta histórias” (Alfaguara), livro de fábulas que, por trás dos simpáticos personagens animais, aborda temas fundamentais para crianças e adultos, como o respeito e o convívio com as diferenças.

Livro: Débora conta histórias

Reconhecimentos à primeiro professora com síndrome de Down

Em 2015, Débora ganhou o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação, promovido pela Câmara dos Deputados em reconhecimento de trabalhos e ações que se destacam na defesa e promoção da educação no Brasil. A professora potiguar foi a primeira pessoa com síndrome de Down a receber a honraria.
Seu destaque também a levou a ser uma das escolhidas para a condução da tocha nas Olimpíadas e Paralimpíadas Rio 2016. E até mesmo a Turma da Mônica chegou a homenageá-la em 2019, no projeto Donas da Rua. A iniciativa, que ganhou ainda uma exposição, homenageia mulheres que contribuíram para a história da humanidade.

Poster: Débora Seabra de Moura, #donasdarua

O ano de 2018 também foi marcante. Débora recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e o Prêmio CLAUDIA na categoria Trabalho Social.

Além do reconhecimento, a própria Débora viaja o mundo dando palestras sobre a importância da inclusão e da representatividade. Suas palavras já chegaram, inclusive, na Organização das Nações Unidas (ONU), onde discursou em 2014, nos Estados Unidos.

Tudo junto e misturado

Embora em 1981, ano em que Débora nasceu, ainda não se falasse muito sobre diversidade, ela sempre estudou em escolas regulares. E ela defende: escola regular para todos é o caminho para inclusão. A professora, inclusive, engrossa o coro da campanha #EscolaEspecialNãoÉInclusiva, contrária ao Decreto 10.502, que institui a  Política Nacional de Educação Especial.

Leia também: Qual a diferença entre educação especial e educação inclusiva?

Para além do título de primeira professora com síndrome de Down do país, Débora Seabra se destaca como uma educadora apaixonada pelo trabalho. Sua trajetória marca uma inspiração para crianças e adultos, porque educar envolve conhecimento, cuidado, amor e, principalmente, respeito.
Fontes: ALERJ, Comissão de Educação, Companhia das Letras, #DonasDaRua, Movimento Down, Redes sociais Débora Seabra


Luciana Faria

Luciana Faria
Escolheu o jornalismo para fazer da paixão por contar histórias sua profissão. Há mais de uma década no mercado editorial e poeta desde a infância, acredita que a palavra também pode transformar as pessoas e mudar o mundo!

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